Gerenciamento costeiro e conservação

Projeto de Mestrado

Pesquisadora: Nicole Malinconico

Equipe

Maria Elisabeth de Araújo

Enrico Bernard

Cinthya Arruda de Lima

Walter Dennis de Oliveira

Métodos

As Unidades de Conservação (UC) marinhas são áreas estabelecidas para uma ampla gama de propósitos, incluindo a proteção da biodiversidade e habitats, a manutenção de serviços ecossistêmicos, restauração dos estoques pesqueiros, gestão de atividades econômicas, redução de conflitos entre usuários de recursos e diminuição da pobreza .

 

As pessoas envolvidas na governança das áreas protegidas denominam-se atores, e entre ele estão funcionários das agências governamentais, membros de comunidades tradicionais, usuários, representantes de empresas ou organizações profissionais, entre outros. Muitas vezes, todos os atores possuindo interesses e preocupações significativas nas decisões da unidade são definidos como "partes interessadas" (stakeholders).

 

A multiplicidade de objetivos das UCs é muitas vezes difícil de ser alcançada por depender principalmente da participação dos stakeholders nos processos de decisão e da linearidade de objetivos e prioridades .

Ordenação

(Ranking)

Para avaliar as ações prioritárias entre os atores será utilizada a análise de ordenamento formatada por Albuquerque e colaboradores (2010).

Ela deriva de uma lista de uma lista livre trabalhada por cada pesquisador. Os informantes são convidados a ordenas as opções de acordo com a preferência.

A partir disso uma matriz é construída, podendo-se então atribuir um valor a cada ação. Assim, um índice pode ser calculado.

Serão aplicados dois questionários; cada um para o grupo de atores de cada APA estudada, embasado nas ações previstas nos Planos de Manejo das respectivas unidades. Para a escolha das respostas sobre as ações prioritárias, o objetivo norteador dos questionários será a conservação dos ambientes marinhos e as dez propostas de intervenções mais importantes para atingi-lo.

Essas propostas (intervenções) deverão: a) representar bem o problema, b) considerar o ambiente que o problema envolve; e c) identificar contribuições para a solução do problema e os participantes relacionados ao problema.

Análise

de conteúdo

Afim de comparar as prioridades discutidas em reunião de Conselho Gestor e aquelas determinadas pelos grupos de atores nas entrevistas será feita uma análise do conteúdo das atas de reunião dos Conselhos Gestores das Unidades de Conservação. Essa avaliação será feita utilizando a ferramenta de classificação RQDA do programa RStudio, que consiste em um pacote de análise de dados qualitativos a partir de elementos textuais.

No processo de tomada de decisão a APA Costa dos Corais (APACC) e APA de Guadalupe contam com Conselhos Consultivos compostos por atores do Poder Público e da Sociedade Civil que fazem uso das áreas. Devido à multiplicidade de interesses nos conselhos faz-se necessário o uso da Ordenação de Preferências para identificar ações prioritárias entre os diferentes atores envolvidos na APACC e APA de Guadalupe, otimizando o processo de tomada de decisões dessas unidades.

Assim, esse projeto visa, com base nos Planos de Manejo existentes, identificar ações conservacionistas prioritárias entre diferentes atores ligados à gestão, pesca e turismo nas Áreas de Proteção Ambiental Costa dos Corais e Guadalupe, litoral de Pernambuco.

Referências

ABDULLA, A., GOMEI, M., HYRENBACH, D., NOTARBARTOLO-DI-SCIARA, G., AGARDY, T. Challenges facing a network of representative marine protected areas in the Mediterranean: prioritizing the protection of underrepresented habitats. ICES J. Mar. Sci. 66, 22e28. 2009.

ALBUQUERQUE, U.P; RAMOS, M. A; LUCENA, R.F.P & ALENCAR, N.L. (2014). Methods and Techniques Used to Collect Ethnobiological Data. Cap 2. On Methods and Techniques in Ethnobiology and Ethnoecology.

ANANDA, J.; HERATH, G. The use of Analytic Hierarchy Process to incorporate stakeholder preferences into regional forest planning. Forest Policy and Economics 5. 13–26 2003.

ANDERSON, E. N.; PEARSALL, D. E. HUNN, E.; & TURNER N. (2012), "Ethnobiology” edited. The Quarterly Review of Biology 87, no. 4: 403-403.

ANUCHIRACHEEVA, S., DEMAINE, H., SHIVAKOTI, G.P., RUDDLE, K.. Systematizing local knowledge using GIS: fisheries management in Bang Saphan Bay, Thailand. Ocean and Coastal Management 46, 1049–1068. 2003.

ARAÚJO, J. L.; BERNARD, E. Management effectiveness of a large marine protected area in Northeastern Brazil. Ocean & Coastal Management, v. 130, p. 43–49, out. 2016.

BALRAM, S., DRAGICEVIC, S., MEREDITH, T. A collaborative GIS method for integrating local and technical knowledge in establishing biodiversity conservation priorities. Biodiversity and Conservation 13, 1195–1208. 2004.

BATISTA, M. I.; CABRAL, H. N. An overview of Marine Protected Areas in SW Europe: Factors contributing to their management effectiveness. Ocean & Coastal Management, v. 132, p. 15–23, nov. 2016.

BARDIN, L. Análise de conteúdo. Lisboa: Edições 70 Ltda, 1977

BARTLETT, D.J., Working on the Frontiers of Science: Applying GIS to the Coastal Zone. In: Wright, D., Bartlett, D. (Eds.), Marine and Coastal Geographical
Information Systems. Taylor and Francis, London, pp. 11–24. 2000

BERKES, F. Traditional ecological knowledge in perspective.  Inglis, J.T. (Ed.), Traditional Ecological Knowledge: Concepts and Cases. International Program on Traditional Ecological Knowledge, Ottawa, Canada. Canadian Museum of Nature, Ottawa. 1993.

BERKES, F., MAHON, R., MCCONNEY, P., POLLNAC, R., POMERY, R. Managing Small-Scale Fisheries: Alternative Directions and Methods. IDRC, Ottawa.2001.

BOTSFORD, L.W., MICHELI, F., HASTINGS, A. Principles for the design of marine reserves. Ecological Application.. 13, S25 e S31. 2003

BORRINI-FEYERABEND, G., N. DUDLEY, T. JAEGER, B. LASSEN, N. PATHAK BROOME, A. PHILLIPS AND T. SANDWITH. Governance of Protected Areas: From understanding to action. Best Practice Protected Area Guidelines Series No. 20, Gland, Switzerland: IUCN. xvi + 124pp. 2013

BRASIL. Decreto de 23 de Outubro de 1997. Dispoe sobre a criação da Area de  Proteçao Ambiental Costa dos Corais, nos Estados de Alagoas e Pernambuco, e
de outras providencias. 1997

BROCK, V. A. Preliminary Report on a Method of Estimating Reef Fish Populations. Journal of Wildlife Management, 18: 297-308. 1954.

CLAUDET, J., GUIDETTI, P. Improving assessments of marine protected areas. Aquatic  Conservation. 20, 239e242. 2010.

CPRH Decreto n.º 21.135, de 16 de dezembro de 1998. Pernambuco. Diário Oficial.

DUKE, J.M., AULL-HYDE, R. Identifying public preferences for land preservation using the analytic hierarchy process. Ecological Economics, 42(1), 131-145. 2002.

FUNDAÇÃO TOYOTA DO BRASIL. Projeto Toyota do Brasil e APA Costa dos corais. 2015. Disponível em fundacaotoyotadobrasil.org.br/projetos/costa-dos-corais

GELUDA, L, YOUNG, C.E.F. Financiando o Éden: Potencial Econômico e Limitações da Compensação Ambiental Prevista na Lei do Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza. Curitiba. Anais do IV Congresso Brasileiro de Unidades de Conservação, 2004.

GERBER, L.R., BOTSFORD, L.W., HASTINGS, A., POSSINGHAM, H.P., GAINES, S.D., PALUMBI, S.R., ANDELMAN, S. Population models for marine reserve design: a retrospective and prospective synthesis. Ecological Application. 13, S47eS64. 2003.

GEURTS, J.L.A., JOLDERSMA, C. Methodology for participatory policy analysis. European Journal of Operational Research 128, 300–310. 2001.

GOEPEL, K. D. Implementing AHP as a standard method for MCDM in
corporate enterprises. Proceedings of the International Symposium on the Analytic
Hierarchy Process. 2013.

GUIDETTI, P., CLAUDET, J. Comanagement practices enhance fisheries in marine protected areas. Conservation Biology. 24, 312e318. 2010.

ICMBIO. Decreto  n° 62 de 21 de julho de 2011. Brasília, Diário Oficial.

INSTITUTO CHICO MENDES DE CONSERVAÇAO DA BIODIVERSIDADE (ICMBIO),. Portaria ~ nº 62, de 21 de Julho de 2011.

INSTITUTO CHICO MENDES DE CONSERVAÇÃO DA BIODIVERSIDADE (ICMBIO). Plano de Manejo da APA Costa dos Corais. ICMBio, Tamandare, Brasil . 2012

ISAAK, D.J., HURBERT, W.A. Integrating new technologies into fisheries science: the application of geographic information systems. Fisheries 22 (1), 6–10.1997

JOHANNES, R.E. Introduction, Traditional Ecological Knowledge: A Collection of Essays. IUCN, Switzerland and Cambridge, UK.1989

JONES, P.J.S. Marine protected area strategies: issues, divergences and the search for middle ground. Rev. Fish. Biol. Fish. 11, 197e216. 2001.

KELLEHER, G. Guidelines for Marine Protected Areas. IUCN, Gland, Switzerland and Cambridge, UK. xxiv +107pp. 1999.

KOHLER, K. E., AND GILL, S. M. Coral Point Count with Excel extensions (CPCe), A Visual Basic program for the determination of coral and substrate coverage using random point count methodology. Computers and Geosciences. 32, 1259–1269. 2006

LEMOS, R.A.B, YOUNG, C.E.F, GELUDA, L. Orçamento público para gestão ambiental: Uma análise voltada para as áreas protegidas. Anais do III Simpósio de Áreas protegidas. 2005.

MAURSTAD, A. Fishing in murky waters—ethics and politics of research on fisher knowledge. Marine Policy. 26, 159–166. 2002.

MOFFETT, A., DYER, J.S., SARKAR, S. Integrating biodiversity representation with multiple criteria in North-Central Namibia using non-dominated alternatives and a modified analytic hierarchy process. Biological Conservation, 129(2), 181-191. 2006.

NEIS B.J., HAEDRICH, R.H. FELT, L., Scientific debates, lumpy lumpfish and slubby nets: fishers’ vernacular knowledge and adaptive management. Paper presented at the Annual Meeting of the American Fisheries Society, Tampa FL, 1995.

NEIS, B., FELT, L. Finding our Sea Legs: Linking Fishery People and Their Knowledge with Science and Management. ISER Books, St Johns, Canada. 2000.

PINKERTON E. Introduction: attaining better fisheries management through co management— prospects problems andpropositions. In: Pinkerton E, editor. Cooperative management of local fisheries. Vancouver: University of British Columbia Press; p. 3–36. 1989.

QURESHI, M.E., HARRISON, S.R. Application of the analytic hierarchy process to riparian revegetation policy options. Small-scale forest economics, management and policy, 2(3), 441-458. 2003.

SAATY, T.L. How to make a decision: The Analytic Hierarchy Process. European Journal of Operational Research 48 9-26; 1990.

SCHMELLER, D.S.; EVAN, D; LINC, Y.; HENLEA, K. The national
responsibility approach to setting conservation priorities—Recommendations for its use.
Journal for Nature Conservation. 22. 349–357; 2014.

SILVA, R.N. Trilhas Veredas para discusão da gestão do turismo nas APAs: O caso PA_Guadalupe/PE. [Dissertação de Mestrado] Recife (PE) Universidade Federal de Pernambuco. 2003.

SOUZA, E.C.A. Uso de Análise Hierárquica de Processos para a definição de preferências e prioridades na tomada de decisões para a conservação da biodiversidade. [Dissertação de Mestrado] Recife (PE) Universidade Federal de Pernambuco. 2017.

 STROUD, J.T.; REHMA, E.; LADDA, M.; OLIVASA, P.; FEELEYA, K.J. Is
conservation research money being spent wisely? Changing trends in conservation
research priorities. Journal for Nature Conservation 22 (2014) 471–473;

TAGLIANI, P.R.A., LANDAZURIB, H., REIS, E.G., TAGLIANI, C.R., ASMUS, M.L., SANCHEZARCILLAE, A. Integrated coastal zone management in the Patos Lagoon estuary: perspectives in context of developing country. Ocean and Coastal
Management 46, 807–822 2003.

VILLA, F.; TUNESI, L.; AGARDY, T. Zoning Marine Protected Areas through Spatial Multiple-Criteria Analysis: the Case of the Asinara Island National Marine Reserve of Italy. Conservation Biology, v. 16, n. 2, p. 515–526, 1 abr. 2002.

YAVUZ, F., BAYCAN, T. Use of swot and analytic hierarchy process integration as a participatory decision making tool in watershed management. Procedia Technology, 8, 134-143.2013.

YIGITCANLAR, T. GIS Based Participatory Decision Making Approach. In: ESRI – EMEA Year 2000 ESRI European, Middle Eastern and African Users Conference. 18–20 October 2000, Istanbul, Turkey. 2000.

Grupo de Ictiologia Marinha Tropical

Departamento de Oceanografia

Centro de Tecnologia e Geociências

Universidade Federal de Pernambuco

Entre em contato:

Siga-nos:

  • Facebook ícone social